Elaine Leme

Tudo bem. Não entre em pânico. Vai dar tudo certo. Claro que vai.
-Poderia virar o joelho, Srta. Elaine? – O técnico de Raio-x tem uma voz agradável, profissional, enquanto me olha. –Srta. Elaine precisa virar o joelho mais um pouquinho.
-Sem dúvida! – respondo movendo só um pouco do meu músculo. O negócio é que eu to com muita dor e um pouco nervosa com o resultado disso.
Estou deitada numa cama no hospital Sorocabana na Lapa, tensa de ansiedade e dor. Eu cheguei aqui por volta da 13hs – e já passei por um ortopedista que me atendeu em 40 segundos e mal olhou pra minha linda cara. Ele me mandou subir um andar até chegar à outra recepção para preencher mais uma ficha. E agora aqui estou. Era a primeira vez – pelo menos desde quando eu comecei a trabalhar – que eu estava sem assistência médica e tinha que enfrentar os maus tratos de um sistema que não funciona no Brasil.
No meio de tantas pessoas que esperavam o resultado do exame sento no banco do lado de uma mulher com um vestido decotado até exagerado, que começa com um blá blá blá contando que estava com apêndice na primeira vez que foi naquele hospital e o médico não diagnosticou nada, ela só foi descobrir dois meses depois. A primeira coisa que me vem à mente é colocar o fone de ouvido porque todos ao meu redor repetem o mesmo papo de doença. Talvez fingir que está dormindo não seja uma opção tão ruim.
Depois de esperar uma hora algumas enfermeiras começam entregar nossos Raio-x. Analiso o meu atenciosamente pra ver se vejo algum osso fora do lugar. Mas minha visão clínica só vê algumas imagens turvas. Obviamente não levo jeito para isso.
Todos voltam a sala do ortopedista express que não está no seu lugar. Passam-se mais de meia hora antes do Dr. M – é assim que traduzimos sua assinatura no formulário – voltar a sua sala.
Enquanto eu esperava, a mulher do vestido decotado, me convenceu que talvez eu tivesse joelho d’água. Fiquei calada, processando a idéia.
Já estava ficando cansada com a demora. Enfim, depois de uns minutos esperando o ortopedista me chamou. Olhou para o meu Raio-x e disse que estava tudo em ordem. Receitou um relaxante muscular e acrescentou que a dor passaria. Mordo os lábios e respondo com a minha frase favorita para médicos desse tipo “Exatamente o que eu tenho?” Ele ignorou minha pergunta e disse que não tinha necessidade deu voltar ali.
Moral da história: ficar longe desse hospital e de mulheres com vestidos decotados. S.U.S não tem vez. Temos que denunciar esse Ortopedista! As coisas acontecem quando menos as esperamos.
edit post
Reações: 
3 Responses
  1. Oi flor.
    Sei exatamente como vc se sente... Com essa vida de PJ nao tenho convênio há tempos... MAs aprendi algumas coisas no SUS. Postos de saúde perto de casa sempre têm um atendimento melhor do que grandes hospitais...
    Bj querida


  2. Anônimo Says:

    Cadê a Diva do Fabulas? To sentindo falta dos seus textos!!!
    Beijos,
    Mulher Apaixonante


  3. Anônimo Says:

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