Elaine Leme

Quem acompanha o Fábulas sabe que, de vez em quando, eu abro espaço para outros depoimentos. Hoje publico um texto da jornalista Isabel Clemente, carioca, 36 anos, reportér da Época. Li seu texto no blog Mulher 7 por 7. Acredito que Kátia escreveu o texto abaixo baseado em suas experiências pessoais. Eu discordo da opinião dela em alguns pontos, mas quero abrir esse debate e saber o que vocês acham. Vamos lá? Segue:


Por Isabel Clemente - tirado do blog Mulher 7 por 7


Aposto que vocês já viram a cena. Um casal sentado à mesa do restaurante. O homem calado, a mulher com cara de poucos amigos trata até o garçom mal. Ela parece um poço de mau humor. Pode ser que aquela inocente criatura barbeada e com ar angelical tenha aprontado todas, esteja há 46 dias deixando que ela cuide sozinha das duas crianças, das compras da casa, do conserto da pia e do próprio emprego, naturalmente, e que nunca tenha se levantado de madrugada para trocar uma fralda. Pode ser.
Tudo é possível na combinação de um casal formado por uma mulher amarga e um homem calado. Costumo dizer que basta um homem sem iniciativa para fazer da própria mulher um monstro em desmandos. Acostumada a dar ordens, a fazer tudo, logo ela, a solitária no poder, se acha no direito de intervir também nas questões pessoais dele e, o que deveria ser uma troca voluntária de delicadezas, atenção e respeito, se torna um eterno intercâmbio de farpas e ressentimentos. Tenho medo de homens sem iniciativa, incapazes de perceber que o papel higiênico acabou.
Mas sempre me causa espanto olhar ao redor e perceber também a falta de humor que assola certas mulheres. Considero a falta de bom humor um defeito grave, em ambos os sexos. Sem humor, perdemos a chance de dar um novo rumo a uma conversa tensa ou simplesmente imprimir um clima melhor numa crítica necessária.
Livros e teses que explicam por que homens e mulheres se comportam, ouvem, falam e reagem de maneiras diferentes tem aos montes por aí. Não vou entrar nessa seara, até porque não sou especialista em comportamento humano. Formada em Jornalismo, pois é, aquela carreira do diploma desnecessário, estou apenas minimamente treinada para ser uma observadora e perguntadora profissional. Outro dia, num papo virtual com minha amiga Martha Mendonça, outra observadora diplomada, chegamos à seguinte conclusão: mulher, quando quer, consegue realmente ser chata. “Mais chata que homem!”, concordamos. Por quê?
Fiz um laboratório doméstico e profissional com os homens que me cercam (sou a única mulher da equipe de jornalistas aqui da Sucursal de Brasília…). Além das observações colhidas, saquei do fundo da memória cenas de mulheres tão azedas que até eu ficava constrangida por elas. Fiz uma autoanálise, lógico, lembrando das vezes em que eu podia ter sido bem-humorada mas cismei de ser chata só para castigar o outro, quando a castigada fui eu. De propósito, ignoro características que falam mais da personalidade de alguém do que das manias cultivadas com o passar do tempo. Homens e mulheres podem ser igualmente “aburridos” (chatos em espanhol - adoro essa palavra. É mais forte do que em português), basta não ter assunto, zero de autocrítica e viver observando o lado ruim dos outros. Ninguém merece companhia assim.
Vamos então a uma lista, simples, das manias que permeiam o universo feminino dotando as mulheres dessa enorme capacidade de serem realmente chatas, quando querem.
- Substituir um elogio merecido por um comentário negativo. Exemplo: o cara nunca aparece com flores, aí, no 12º aniversário de casamento, ele compra um vaso de betúnias. A reação chata: “Nooooooooossa, que milagre. Vai chover hoje!” Custava agradecer?
- Considerar o futebol um rival mais ameaçador do que Angelina Jolie nua na sua porta. (Não sou lá muito fã de jogos nas tardes de domingo, um ótimo horário para um passeio familiar com crianças pequenas. Prefiro os de quarta à noite, mas dá para fazer um rearranjo e negociar: já que ele terá duas horas de um prazer bem dele, que tal criarmos um momento só mulher também? E se você não tiver filhos, ótimo, é hora de você, uma mulher tão ocupada de segunda a sexta, dar um pouco de atenção para si mesma, para os pais, para qualquer um, menos para ele. Fala sério, não custa, né?
- Telefonar a cada 15 minutos para falar sobre…nada específico. Sobretudo no início da relação. Vai anotando os assuntos e comenta tudo de uma vez só num telefonema maior.
- Reclamar e criticar o marido/namorado/companheiro/outro para outras na frente dele. Gente, vamos combinar que isso é o fim da picada, né? A regra número um do bom relacionamento é NUNCA desfazer do outro em público. Aliás, isso vale para os chefes, que devem elogiar em público, e repreender em particular; para os pais, porque as crianças ficam constrangidas e se sentem diminuídas; e, obviamente, para o marido também.
- Falar demais. Acrescentei isso aqui só porque alguns homens insistiram. Não estou convencida de que isso seja uma mania feminina até porque já vi tantas “sem assunto” e tantos homens que falam sem parar gabando de si mesmos, do próprio trabalho, do carro…Para mim, verborragia é defeito de personalidade, independente do sexo, agora, reclamar demais…aí já acho que pega…E por que mulher tem tanta mania de reclamar? Leiam os próximos dois itens.
- Falar mal de tudo que ele faz com as crianças. Ele pega o bebê pra brincar e ela já começa: “Ele acabou de mamar, não pode sacudir” ou ele coloca um macacãozinho pra descer com o filho no play e ela: “Está um ventinho! Você quer que o garoto morra de pneumonia???” É saudável que a criança entenda que há várias formas de cuidar dela, claro. Sem falar que essa mania pode deixá-lo tão inseguro que ele passará a te perguntar tudo o que pode ou não pode fazer com a criança, com a casa, e aí a gente entra naquela maniazinha que os homens têm de perguntar tudo…onde está o remédio, onde ficam as fraldas?
- Olhá-lo de alto a baixo quando ele se arruma para sair com você. Ele colocou calça jeans, tênis e blusa do Homem de Ferro. Que tal respeitar o estilo dele, mesmo que você goste de ir de scarpin e echarpe tomar um chope no boteco da esquina.
- Discutir a relação. Tem coisa mais generalista e sem foco do que isso? Conselho de um homem: escolhe o tópico e fala dele. Discutir a relação dá a entender que nada está prestando. SE nada está prestando, vai discutir o quê? (eu concordo).
E aí, o que torna até a mais divertida das namoradas uma mulher chata?
edit post
Reações: 
5 Responses
  1. Perfeito, hauhauhauhauha.


  2. Anônimo Says:

    Não sei se sou a pessoa mais indicada para responder essa pergunta sobre o texto, por ter lembranças mais ou menos recentes sobre "causos" idênticos do último relacionamento, mas vou tentar responder, sem entrar no detalhe. Concordo em muito no que foi dito no texto. Apenas para tentar comentar, me lembro que depois de ficar puxando bode por meses, fui numa festa no início de 2008, onde eu estava numa mesa com várias mulheres, casadas e tb solteiras. Todas reclamavam de coisas que seus parceiros faziam ou não faziam, e eu não me enquadrava em 90% dos casos. Elas reclamavam dos seus respectivos parceiros, mas reconheciam que eles já eram assim antes, e que não adiantava tentar mudar porque elas já tinham "comprado" o produto com aquelas especificações e seus defeitos de fabricação. Então, eu pensei: ou eu sou um cara que vale a pena só por não ser como aqueles caras, ou então eu sou um babaca por não ser como eles. Afinal, nenhum relacionamento meu tinha dado certo apesar de não ser como eles, e depois de um tempo e de certa idade, acaba dando no saco ficar passando por relacionamentos sabendo ou imaginando que no final não vão dar em nada. Acho que tudo passa por aceitar e ser aceito pelo outro sem reservas. Vc pode até reclamar uma hora ou outra, mas tem que saber que vc tá com aquela pessoa por algo maior que o fato de "Considerar o futebol um rival mais ameaçador do que Angelina Jolie nua na sua porta." Tudo bem, de repente, eu venha incorrendo em equívocos diferentes do que todos aqueles caras daquelas mulheres que citei, mas aí o caso é ainda mais perturbador. Porque valida a tese de que mulher não é só chata, mas tudo maluca mesmo...rsrsrsrsrs. Fantasiam uma pessao ao invés de aceitá-la como ela é. Esse papo de que homem mostra um lado mascarado para conseguir ficar com a mulher e depois é que mostra quem realmente ele é, isso é desculpa de mulher que tem zero de autocrítica e vive observando o lado ruim dos outros. Por isso eu digo, viva a ERA DOS NERDS !! rsrs..eu não me considero um Nerd, mas conforme tem sido alardeado, eles têm virado o jogo pra cima dos bad boys e playboizinhos de faculdade...rsrsrss. Bom, é isso aí.

    Bjs


  3. Anônimo Says:

    Acredito que o grande mal é que ambos não se atentam ao fato de que a relação é feita por dois e insistem em morrer abraçado ao comodismo. O reclamar e não fazer nada para mudar e simplesmente acha mais fácil e prático vestir a grife Gabriela Cravo Canela "Eu nasci assim, vou morrer assim". Tenho pavor de gente que usa essa grife. As pessoas mudam, graças a Deus, e basta cada um ter semancol para perceber se a mudança do outro é boa para si ou não e não tentar a qualquer custo mudar o outro, não rola, é só sofrimento duplo quiça universal (pq todos em volta sofrem).
    Bjs, Mulher Apaixonante


  4. TAZ Says:

    As Pessoas mudam, quando estão afim de mudar por alguma questão que lhes convem, ou que podem de fato ter algo muito importante a perder. Mas essas mudanças são pequenas. Não se pode transformar uma pessoa ja dotada de sua personalidade, não se muda a personalidade da pessoa, pode ser mudado certos hábitos, mas a personalidade de uma pessoa, sua formação como ser humano é muito dificil. O que acontece é que muitas mulheres (homens as vezes, as mulheres fazem isso com muita frequencia), insistem em idealizar o "principe encantado", o seu principe que virá num cavalo branco resgata-la do castelo, e que depois viverão felizes para sempre e bla bla bla...
    O que acontece é que conhecem alguem e depois de algum tempo tentam transforma-lo no que idealizaram. Oras, nem todo o homem tem o hábito de abrir as portas para as mulheres, se isso já não vem dele de berço, é dificil faze-lo mudar. Quantos homens que você conhecem levantam-se ou mesmo tiram a cadeira da dama num restaurante??? Quantos sabem reparar quando as mulheres cortam 2 cm do cabelo, ou pintam a unha de cora para Fuksia (sei lá como se escreve essa cor porra...rs), e etc...
    O que tem que existir acima de qualquer coisa é respeito, companheirismo, carinho, amizade, tesão, amor e muita cumplicidade, independente das diferenças entre o homem que está contigo e o príncipe encantado que foi idealizado. Se ficar resmungando que nenhum homem presta, tem defeitos e não pode ser seu principe, lamento, morrerás sozinha, e principalmente infeliz, sem ter tido a oportunidade de amar alguem de forma incondicional e ser amada da mesma forma.
    Bom, para uma sexta feita, 18 horas no rio de janeiro, quase na hora do chopps ta bom rs rs rs.
    FUI
    Taz


  5. Anônimo Says:

    Putz, eu raramente entro no blog e comento, mas vendo a mensagem da Mulher Apaixonante, que deve ter pago royalties ao Gabriel por ter usado a música tema dele, e por ler a forma eloquente com que o Taz/Hugo se expressou, eu tinha que comentar algo..rsrsrs...Mulher Apaixonante, vc tá solteira ? hahhaa...Hugo, apesar de ter escrito muito bem, vc ainda tá procurando seu príncipe encantado ? E pra cima de moi que vc não sabe escrever a tal cor de esmalte ?!! Fala sério !! Só em ter mencionado a cor mostra o quanto vc conhece do assunto..hahahahahah